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Subiu para sete o número de mortos e 600 feridos em confrontos durante os protestos contra o presidente do Egito, Mohamed Mursi, que completa neste domingo um ano de mandato. As mortes foram provocadas por confrontos entre os manifestantes e aliados do mandatário.
Na capital Cairo, duas pessoas foram baleadas na cabeça e mortas por integrantes da Irmandade Muçulmana, grupo religioso ao que Mursi pertence, ao lado da sede da entidade, que foi atacada pelos opositores. O local sofreu um incêndio após os manifestantes lançarem coquetéis molotov.
Outro escritório da entidade foi atacado em Alexandria, no norte egípcio. As demais mortes ocorreram ao sul da capital --quatro em Assiut e uma em Beni Suef. Segundo o Ministério da Saúde, outras 613 pessoas foram feridas, a maioria por brigas nas ruas.
Os protestos juntaram mais de um milhão de pessoas no Cairo e em Alexandria, onde houve intensos confrontos com a polícia e aliados de Mursi infiltrados. Os manifestantes tentaram chegar perto do palácio presidencial e de outros prédios no governo.
A polícia também fez um cordão de segurança em volta da casa do presidente, em um bairro nobre do Cairo, para evitar ataques. O porta-voz do governo, Ihab Fhmi, voltou a oferecer o diálogo para os opositores, que se recusam a negociar porque acusam Mursi de querer usar os encontros como fachada política.
O principal grupo de oposição Frente de Salvação Nacional pediu que os atos continuem até que o presidente seja retirado. Em comunicado, o grupo diz que o povo continuará a revolução e manteve suas reivindicações, como a convocação de eleições antecipadas e a queda de medidas que deram mais poder aos islâmicos.
BRIGA POLÍTICA
Desde o início do mandato de Mursi, no ano passado, os opositores reclamam contra a condução política do presidente. No final do ano passado, o mandatário aumentou seus poderes e começou a incluir artigos da lei islâmica, restringindo direitos.
Também houve forte pressão sobre o Judiciário, acusado pelos islâmicos de ser aliado do ex-ditador Hosni Mubarak, que governou o país até 2011. O Egito também enfrenta uma forte crise econômica causada pelo aumento dos gastos do governo e a queda do faturamento no turismo.
Em entrevista ao jornal britânico "Guardian" publicada neste domingo, o presidente disse que não vai renunciar e considerou que os protestos não podem ser usados para dar um golpe contra os resultados de uma eleição livre.
"Não há espaço para nenhuma negociação contra a legitimidade constitucional. Se um presidente eleito é forçado a sair, haverá opositores ao novo presidente e, semanas ou meses depois, eles pedirão que ele renuncie também".