O médico-ortopedista Rafael Donisete Lopes foi protagonista no dia de ontem da primeira crise entre o Prefeito José Natalino Paganini e sua bancada de sustentação na Câmara Municipal. Alegando razões pessoais, ele entregou o cargo de líder do Prefeito por meio de um ofício encaminhado ao prefeito. Falando por telefone ao Jornal A Cidade, Lopes disse que iria se pronunciar de maneira oficial somente depois que tomasse conhecimento do teor de entrevista dada na manhã de ontem pelo próprio prefeito no programa de entrevistas Jornal da Clube, comandado pela repórter e locutora Karina Mattos .
O assunto foi também alvo de comentários logo em seguida em entrevista dada pelo Deputado Barros Munhoz por telefone a partir de seu gabinete na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo e Lopes disse que também precisaria ouvir a gravação desta entrevista para formular uma opinião mais concisa sobre os desdobramentos de sua decisão a partir da reação dos dois principais líderes do grupo político da situação. Apesar de ter se comprometido em emitir sua versão do caso, o médico não retornou as ligações da nossa reportagem.
Procurado, Paganini repetiu basicamente o que havia dito na Rádio Clube, ou seja, que o relacionamento com seu líder vinha sofrendo um processo de desgaste que remonta de alguns meses atrás, primeiro argumentando sobre problemas de ordem pessoal relacionados à sua atividade profissional. “O líder tem que estar próximo do prefeito deve ser o elo entre o gabinete e a Câmara, precisamos nos reunir antes e após as sessões, mas isso não vinha ocorrendo porque ele sempre argumentava que não dispunha de tempo”.
Paganini disse que num primeiro momento tentou equacionar estes problemas oferecendo uma elasticidade maior dentro de sua agenda para atender aos problemas alegados pelo vereador , mas que ainda assim não encontrou no vereador um comportamento de reciprocidade. “Ele sempre dizia que não tinha tempo”, afirmou o prefeito.
Este fato, segundo Paganini, Lopes vinha adotando uma posição que estava causando problemas de relacionamento com os próprios colegas, “além de outras ações consideradas discordantes pelo grupo político”, conforme suas palavras. Prosseguindo disse que o ex-líder não dava “importância ao que os companheiros diziam” e que ele se preocupava apenas com suas iniciativas pessoais em detrimento dos interesses do próprio poder executivo, defendendo “propostas impossíveis de serem implementadas na velocidade desejada”. Paganini disse que “ele ( Dr. Rafael) sabia que a ação do líder é defender os projetos do Executivo, mas priorizava só as suas iniciativas. Isso foi acarretando um processo de desgaste com a criação de dificuldades com os Secretários , desagregando a bancada e criando entraves para a administração que acabou culminando com seu pedido de desligamento”, detalhou.
Em tom de desabafo, o atual prefeito defendeu a necessidade de coesão dentro do grupo para enfrentar as dificuldades inerentes aos problemas que a cidade precisa solucionar. “Temos um projeto para a cidade e para executá-lo a contento necessitamos ter o grupo discutindo , discordar quando for o caso, mas uma vez decidido, todos devem falar a mesma linguagem. Não acho razoável depois de tudo acertado sair para fora expressando descontentamento simplesmente porque sua ideia não foi aceita e muitas vezes , levando informações errôneas para os meios de comunicação com a pretensão de fazer sala para todo mundo”.
Foi ainda mais incisivo ao afirmar que faltou a Lopes “companheirismo”. “ O Rafael não vinha se mostrando companheiro. Inicialmente achamos que era uma questão de tempo e que ele se adequaria às demandas do universo político e intui que isso não iria ocorrer e para não comprometer a unidade do nosso grupo, não me restou outra alternativa. Ele não faz mais parte do nosso grupo”, concluiu.
Munhoz
Em sua participação na Rádio Clube, o Deputado Barros Munhoz deu respaldo ao Prefeito. Disse que Lopes era neófito em questões políticas deixando a entender que na sua opinião não demonstrava gratidão pela acolhida que teve no grupo político por ele liderado e que o levou a ter a segunda maior votação na Câmara com 2.016 votos. “Nosso grupo político não comporta vaidades pessoais. Uma laranja podre contamina toda uma cesta de laranjas”, acrescentou.
Novo líder deve ser anunciado até o final do recesso parlamentar
Embora não tenha citado nenhum nome em potencial para substituir o ex-líder, Paganini deu a entender que o recesso parlamentar de meio de ano ocorre em boa hora, dando a ele e os colegas da composição política que o ajudaram em sua eleição a refletir melhor sobre o assunto.
Especula-se que ele possa até mesmo em pedir o retorno de Carlos Jamarino para a Câmara, pouco tempo depois de efetivá-lo no cargo de Secretário de Administração. Segundo uma fonte muito próxima ao prefeito e que pediu a preservação de sua identidade, Paganini enxerga em Jamarino as virtudes necessárias para os enfrentamentos na Câmara. “ É bem articulado, se dá muito bem com toda a bancada e tem ainda a seu favor o fato de possuir uma enorme identificação com as principais lideranças do grupo político”, analisou esta fonte.