A diversidade do parque industrial de Itapira às vezes costuma surpreender devido à especificidade de alguns segmentos. A reportagem de A Cidade descobriu num barracão da Rua Benedito Calil, no Jardim Tropical, uma fábrica de lonas para caminhão.
O proprietário José Maurício da Silva, 58 anos, deixou São Paulo há sete anos atraído pela amizade que desfruta com o atual presidente da Sociedade Esportiva Itapirense, Luiz Marcos de Paula, que chegou a ser seu sócio no negócio montado na cidade, a empresa Lona Mais. Natural de Quixeramobim, no interior do Ceará, Silva conta que antes de se dedicar ao ramo das lonas para caminhão tinha uma empresa de serigrafia, técnica de impressão conhecida também como silk-screen e foi atraído durante a fase de vacas gordas do primeiro mandato do ex-presidente Lula pela promessa de amplo crescimento econômico. “Mais crescimento econômico, mais transporte de carga. Mais transporte de carga, mais venda de lonas”, raciocinou. Ele já tinha experiência anterior depois de ter trabalhado para a empresa Sansuy, líder do mercado.
Silva garante que não se arrepende de ter investido no setor. Segundo ele, trata-se de um ramo que tem suas próprias particularidades. “A gente tem um movimento maior justamente nesta época do ano por causa do regime de chuvas. Motorista de caminhão de carga seca tem que proteger aquilo que transporta da chuva. Além disso, já está em vigor uma Lei que torna obrigatória a cobertura da carga, com multa que custa mais caro do que comprar uma lona”, especificou. Ele estima que nestes dias atuais esteja confeccionando cerca de três mil metros lienares de lonas por dia. Em tempos de maior vigor econômico fazia cinco mil metros e tem capacidade instalada para pelo menos o dobro.
A Lona Mais fabrica lonas de PVC e Poliéster, diferentes daquelas conhecidas como encerados, cuja matéria prima é o algodão. Silva fala que já trabalho com lonas de algodão, mas desistiu por causa das dificuldades. “É uma matéria prima de difícil manejo e que solta resíduos inflamáveis, inadequados para quem trabalha com equipamentos como solda. É arriscado”, disse. Questionado se os motoristas não preferem o encerado, contou que as lonas de plástico estão ganhando a preferência. “As lonas de algodão são mais pesadas, difíceis de manejar e quando molhadas se tornam um incômodo. Além disso existem alguns setores, como o transporte de grãos, cujas lonas devem ser de PVC”, ensinou.
O sistema de fabricação lembra muito uma linha de produção da indústria têxtil. Bobinas de matéria prima são esticadas numa bancada , recortadas e têm as partes soldadas num processo que usa equipamentos específicos. Existem 12 formatos padrão para atender os diversos tamanhos de carroceria,mas a Lona Mais, segundo o proprietário, tem cortes personalizados para cada tipo de necessidade. Além disso, a experiência no ramo da serigrafia lhe acrescenta um valor agregado ao seu produto, já que personaliza nome e logomarcas das empresas para as quais fornece.
Ele emprega 13 pessoas. Mantém um escritório em São Paulo e conta ainda com a ajuda do filho Maurício Silva Junior. Este último está concluindo curso de Administração de Empresas em São Paulo e já se ocupa da parte gerencial da empresa. Quanto ao pai, ele diz que percorre duas vezes por ano, de automóvel, a grande maioria dos Estados da Federação para vender seu produto. “Levo comigo sempre amostras e algumas lonas já processadas. De todos os estados Brasileiros só não fui ao Acre e a Roraima. Nesse ramo a gente tem que marcar presença. A gente mostra inovações, ouve o que o cliente quer e este contato é o segredo do crescimento de nossa empresa”, arrematou.
Empresa tem 13 trabalhadores, todos capacitados pelo próprio empresário
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